Tablet: você ainda vai ter um.

tabletsNão pretendo falar de tablets específicos e exaltar ou menosprezar estas ou aquelas características deste ou daquele modelo. Meu intuito é falar de um modo geral sobre certos aspectos que percebi no uso desse tipo de dispositivo.

Os tablets surgiram como uma extensão do celular, que apesar de terem muitos recursos, tem uma restrição inegável: tamanho. Por melhor que sejam os novos celulares multifuncionais, uma tela maior que 4 polegadas já o torna bem difícil de transportar no bolso…Daí, um grande gênio do marketing, que foi o mesmo que inventou essa história de celular como dispositivo de entretenimento, re-lançou a idéia do tablet, um dispositivo que se assemelharia a um “caderno” (é, o nome notebook já não dava mais para ser usado) e que teria os mesmos recursos do celular, só que com a tela grande.

Até aí, tudo bem, somos consumidores de tecnologia, queremos que inventem coisas para que possamos desejá-las.

Mas um dos problemas com essa “tecnothirst” é que tanto os produtores quanto os consumidores se sentem um pouco “loucos”. Sempre que há um lançamento de algo novo, todos ficam extremamente extasiados, excitados, quase alucinados. Depois que veem que o novo não é tudo aquilo, há uma espécie de depressão tecnológica: é, isso é legal, mas quando vai sair a versão 2?

No caso dos tablets, que já estão caminhando para sua 3a. versão, há alguns pontos importantes que aparentemente são “esquecidos” pelos fabricantes e que parecem contribuir para essa desilusão sistemática do mundo da tecnologia.

  • Ergonomia: é fácil ficar segurando o seu celular de 130 g em uma mão por bastante tempo, mas vai fazer isso com um dispositivo de um pouco mais de meio quilo (600 g)… Mesmo segurando com as duas mãos, isso pode ser inconveniente depois de meia hora. Daí você coloca seu tablet sobre uma mesa, por exemplo, e tem que ficar com o pescoço curvado ou com as costas arqueadas da maneira mais abominável pelos ortopedistas, especialistas em RPG, pessoal do “bem estar” dos RHs das empresas… É por isso que agora surgem algumas capas que permitem colocar o tablet na posição de porta-retrato com ângulo ajustável, e com direito a alguns fabricantes anunciando isso como revolucionário…
  • Sistema Operacional: somente agora os maiores fabricantes de tablets vão fazer/permitir a atualização dos sistemas operacionais para alguns dos dispositivos atuais. As versões anteriores de tablets – e de celulares também – não tinham essa permissão oficial. Se você quiser um SO mais novo, tem que comprar um dispositivo mais novo. É um pouco estranho, visto que as empresas que lançaram essa “inovação” que é o tablet, sempre criticaram uma determinada empresa gigante de software, acusando-a de sempre fazer atualizações de seu SO vinculada à necessidade de hardware mais potente…Claro, graças a Deus, para esses dispositivos cuja atualização foi negada, temos alguns “hackers do bem”, que disponibilizam instruções e recursos de como fazer as atualizações, os famosos jailbreaks ou rootings, dependendo do SO que você tiver no seu dispositivo… Por que os nomes diferentes para os processos de “quebra de SO”? Marketing. Mas é dose você ter que assumir essa postura de consumidor underground para ter aquilo que deveria ser seu direito, mesmo que fosse necessário, mas não recomendável, pagar uma taxa de atualização.
  • Compatibilidade: não vou entrar no mérito da velha questão do Adobe Flash não rodar em alguns dispositivos, mas também não se pode navegar em sites com applets Java? Nem Activex? O tablet não tinha que ser amplamente compatível com qualquer, ou pelo menos com a maioria, dos recursos disponibilizados na Internet? Os navegadores “nativos” que vem com os tablets também às vezes tem dificuldades em processar corretamente alguns Javascripts ou Vbscripts… Qual o problema então?Tente também imprimir a partir de um tablet. Se você encontrar um cabo conversor do conector específico de cada marca para ligar seu dispositivo a uma porta USB da impressora, prepare-se para sofrer na busca de driver compatível. Não, não aparece nenhum assistente de instalação para ajudar na tarefa. Sei que pode parecer arcaico pensar em impressão a partir de um tablet, mas enquanto dinheiro for impresso em papel, ele será parte importante de nossas vidas – o papel, não o dinheiro…;)

Se você é tão exigente (chato) quanto eu, vai ficar irritado com outros detalhes. Por exemplo, você não consegue, pelo menos por vias normais, mudar o nome de rede do seu dispositivo. Alguns serviços na web, como edição de textos, e mesmo upload de arquivos, podem não funcionar em todos os sites que você usa. O acesso a recursos compartilhados em redes domésticas e corporativas não é lá tão natural quanto deveria ser. Chato mesmo…

Eu imagino que essas dificuldades sejam em parte uma espécie de precaução dos fabricantes, já que a destinação de mercado do tablet é a mesma que a da TV. Por isso que fica a sensação de se ter um dispositivo igual a um PC com Linux instalado por alguém que lhe convenceu que, mesmo sem você conhecer nada sobre Linux (hipoteticamente falando, é claro…), você vai usar todos os recursos possíveis, apesar da senha do su ou do root login não ficar com você… É uma restrição bastante grande para um gadget; pode ser algo necessário a um eletrodoméstico, mas para um item tecnológico isso soa como o fabricante dizendo “não queremos que você veja o que nós fizemos, fique satisfeito com o que tem aí”.

O tablet então passa a ser um item a mais no já populoso mundo dos dispositivos tecnológicos: mpx devices, e-books, PCs, HTPCs, notebooks (ou laptops), netbooks, celulares. Não dá para admitir, pelo menos por enquanto, que o tablet vai substituir os PCs, notebooks e companhia – aliás, os notebooks nunca conseguiram substituir os PCs de mesa. O tablet é quase um “artigo de luxo”, principalmente por causa do preço, que traz como principal benefício o apelo visual – leia-se tela maior – em um dispositivo mais portátil que o notebook e com maior autonomia de bateria. É obrigatório pensar no uso de tablet aliado à Internet móvel, já que, sem conectividade em qualquer lugar, fica chato, mesmo com Angry Birds instalado. Pode ser excelente para força de vendas de uma empresa, desde que o aplicativo comercial a ser utilizado seja compatível com as opções do navegador do dispositivo.  Ah, e lembre-se de ter muita paciência com a Internet, já que o Brasil, a 6a economia do mundo, tem uma Internet terrivelmente cara e de baixíssima qualidade…

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Solução para problema com Realtek HD audio no Windows 7

Na verdade estou adaptando instruções que encontrei. Como este procedimento já corrigiu defeitos de áudio Realtek em pelo menos uns 6 equipamentos que mexi, acho que se trata de uma “solução” que deve ao menos ser verificada.

A Realtek é uma das grandes (em quantidade, não em qualidade…) fornecedoras de chipset de áudio onboard, especialmente para notebooks e similares. Entretanto, como a maioria dos fabricantes de placas de áudio, a Realtek faz drivers de baixa qualidade, que não funcionam direito (crackling), que causam freeze nos jogos, etc.

A solução abaixo foi tirada de um fórum do site Overclock.net, sob o tópico “Realtek HD audio fix Windows 7” e especificamente fala de solução para o Windows 7. Espero que ajude quem estiver enfrentando problemas com esse tipo de dispositivo.

Para corrigir problemas de crackle, distorção e gerenciamento de áudio limitado com driver de áudio Realtek no Windows 7, instale o Realtek Driver R214 para Windows Vista da seguinte maneira:

  1. Vá para o Gerenciador de Dispositivos e desinstale o Realtek High Definition Audio ou Dispositivo de Audio de Alta definição  em Controladores de Som, Vídeo e Jogos.
  2. Faça o download e instale o Realtek Audio Driver Vista R214.
  3. Reinicie o computador. Ao iniciar, o Windows efetuará a instalação do Realtek HD Audio bus, usando os drivers que foram instalados no passo anterior.

Em Hardware e Sons, no Painel de Controle, aparecerá o ícone do Gerenciador de áudio HD Realtek e, o melhor de tudo, todos os áudios de arquivos de música e vídeos serão executados corretamente, sem nenhuma distorção ou chiado.

Usando o celular como modem GSM.

Estava meio decepcionado com meu celular, que apesar de ter capacidade de acesso à rede de dados GSM (GPRS, EDGE e etc.), não conseguia usá-lo conectado ao meu computador como modem de Internet de alta velocidade. Tudo porque como o celular é simples, o fabricante não disponibilizava nenhum software que tivesse capacidade de discador para tais redes. Também, o Windows não tem como opção a configuração de conexão GSM, que não é como uma conexão dial-up simples.

Até que procurando na Internet (Viva a Internet!)achei as instruções num blog de um engenheiro de software de Bangladesh como fazer isso usando comandos AT!

Não sei como não tive essa idéia antes! Claro, que eu jamais conseguiria saber quais comandos usar, teria que passar um montão de horas garimpando a lista de comandos AT para modens com suporte a GPRS,UMTS, etc…

O comando que aprendi, caso você também queira usar no seu celular para usá-lo como modem para seu PC conectado via USB ou mesmo Bluetooth, é o seguinte:

at+cgdcont=<id>,”<protocolo>”,”<apn>”

Este comando é um dos primeiros que os discadores usados pelos modens USB vendidos pelas operadoras de telefonia enviam para os dispositivos. Ele define o contexto do PDP ou Packet Data Protocol das conexões a serem feitas pelo modem.

  • O “<id>” depois de cgdcont= refere-se a um número que corresponde ao ID do contexto a ser definido: em geral, pode-se definir vários e distingui-los através desse ID.
  • O “<protocolo>” determina seu tipo, que pode ser “ip”, “ipv6” ou “ppp”.
  • O “<apn>” é o Access Point Name, que irá identificar a rede de dados a ser utilizada no contexto.

Há opções para definir a compressão de dados, mas em geral isso não é necessário.

No Windows, coloque essa string na opção de Comandos Adicionais de Inicialização na guia Avançadas na janela de Propriedades do seu modem (celular) e depois crie uma nova conexão Dial-Up com a Internet. Informe as credenciais de acesso e o número de telefone correspondentes à sua operadora GSM e pronto! Efetue a conexão a partir do PC usando o celular como modem.

Naturalmente, você precisa ter instalado os drivers do seu celular correspondente, identificado no Windows, bem como pacote de dados contratado e associado com sua linha de telefone.

Por exemplo, no caso da TIM, o comando fica sendo: at+cgdcont=1,”ip”,”tim.br”

Vivo: at+cgdcont=1,”ip”,”zap.vivo.com.br”

Claro: at+cgdcont=1,”ip”,”bandalarga.claro.com.br”

e assim por diante.

Os telefones para acesso às redes de dados em geral são iniciados por * e possuem poucos números, e dependem da operadora.

Vista frontal

e-Reader Alfa, da Positivo

Os e-readers apareceram como alternativa digital para os livros em papel. Atualmente, com o e-paper, por exemplo, essa alternativa parece ser agora viável.

Dentre os fabricantes mundiais, a Positivo apresentou o seu produto para o mercado nacional, o Alfa. Segue análise que fiz do produto.

O Alfa

O dispositivo é leve, fino e bonito. A tela de 6 polegadas proporciona uma experiência de leitura mais ou menos como a de um livro de bolso. Em termos práticos, é ideal para quando viajamos e estamos em trânsito, por exemplo.

Vista frontal

Positivo Alfa : Vista frontal

Os botões frontais são bem robustos e do tamanho certo, mesmo para quem tem dedos grandes. Já na parte superior, o botão de liga e desliga, a entrada para o cartão MicroSD e o conector MicroUSB (tipo B) já não parecem ter a mesma qualidade, mas nada a reclamar.

O esquisito mesmo é a Positivo ter mantido o orifício que seria destinado ao fone de ouvido, bem como, na frente, o botão de regulagem de volume, ambos desativados. Entendo que o equipamento não é produzido no Brasil e sim montado e adaptado, mas isso dá uma sensação um pouco ruim. A vantagem é que a duração da bateria se torna maior sem o áudio. Talvez a Positivo crie posteriormente uma nova versão de e-reader e então ative o recurso de áudio, que serviria para, por exemplo, se ter um Text-to-Speech (leitor de palavras). Mas acredito que ficou faltando um acabamento melhor nesse sentido para o dispositivo atual.

positivo alfa vista lateral

Positivo Alfa: Vista lateral

A conexão com o PC é feita através de cabo USB fornecido com o produto, que também serve para carregar a bateria, o que pode ser feito enquanto estiver conectado a um computador ou diretamente na tomada, usando-se o adaptador CA USB, também fornecido com o produto. Uma recarga completa da bateria demora cerca de 2 horas, sendo que na primeira vez, deve-se efetuar uma carga de 4 horas. É através da conexão USB com o PC que se faz também a transferência de e-books para o Alfa, seja através de cópia simples de arquivos para o dispositivo que no PC aparece como unidade de disco removível, seja através do Adobe Digital Editions, que reconhece o e-reader da Positivo, e permite o gerenciamento dos e-books disponíveis.

Outro item que acompanha o produto é uma capa protetora, item importante e benvindo. Ao colocar o Alfa na capa, parece que você está carregando um pocket book ou uma carteira, além de proteger o dispositivo de riscos e danos à tela.

O manual do produto é bom, com informações gerais sobre como utilizar o produto, instruções de segurança e manutenção. Entretanto, o manual digital que vem dentro do Alfa está em formato PDF e não EPUB, o que torna a leitura do mesmo um pouco limitada.

Não há informação de que o produto terá seus softwares atualizáveis e isso é um pouco preocupante. É bem sabido que todo produto deste tipo com SO e leitor de e-book, bem como um dicionário, precisa ser atualizado eventualmente, por conta de correções e atualizações. Espero que a Positivo haja como empresa séria nesse sentido.

Em termos de compatibilidade com formatos de e-books, o Alfa suporta somente o EPUB e o PDF. É pouco, é verdade, mas dado que o PDF é um formato muito popular, a maioria dos e-books pode ser encontrada ou convertida facilmente para o formato da Adobe. A principal desvantagem do PDF neste caso é a incapacidade de redimensionamento de texto (resize text) e repaginação automática (word wrap) quando utilizado em um e-reader, além do tamanho excessivo que um arquivo pode tomar, o que prejudica a performance dos dispositivos. Quanto ao EPUB, por ser um padrão aberto e livre, tem grande aceitação no mercado de e-books e na maioria dos softwares de e-readers. Sua principal desvantagem é referente às publicações que requerem uma exibição gráfica mais precisa ou especial, já que suporta somente os formatos PNG, JPG, GIF e SVG. Além disso, não possui um esquema de DRM definido.

A tela

É difícil explicar a sensação quando se vê o e-paper em ação.

No caso do Alfa, ele é produzido por uma empresa de Taiwan, a SiPix. Apesar de ser monocromático, em 16 tons de cinza, o antialiasing para letras é simplesmente perfeito. Para imagens, não é muito bom e algumas delas, quando exibidas, lembram as fotos em 800 por 600 em formato GIF de 256 tons de cinza, com bastante granularidade, nos monitores VGA antigos. Mas para ler livros onde o conteúdo textual prevalece, é mais do que adequado.

O mais legal é como o e-paper se comporta na luz. Na luz do sol direta, o e-paper se mostra praticamente idêntico a uma folha de papel convencional. As letras aparecem nítidas e o fundo se torna um branco opaco, agradável para leitura. Sob luz artificial direta ou difusa, a nitidez das letras permanece, mas a cor do fundo passa para um branco acinzentado bem claro. Não há a mesma sensação de luz irradiada que um monitor de LCD provoca quando abrimos um editor de textos para ler algo. Simplesmente espetacular!

Claro, apesar da tela ser de Politereftalato de ETileno (o famoso PET), não é como o papel comum. Há um certo nível de reflexo da fonte luminosa, mas nada muito intenso ou incômodo.

Além dos botões frontais para utilizar o dispositivo, o Alfa dispõe de tela sensível ao toque. Grande parte das funções são feitas através desse recurso, como por exemplo, virar páginas, digitar palavras no teclado virtual quando se efetua uma busca, ou controlar o zoom. A sensibilidade da tela é bastante boa, respondendo corretamente de acordo com os toques efetuados.

O acelerômetro de 4 direções é bom, identificando a maioria dos movimentos, tal qual qualquer dispositivo com tal recurso. A maior dificuldade é para e-books em formato PDF, onde o Alfa às vezes demora para perceber a posição correta. Mas nada que uma sacudida de leve na direção desejada não conserte. Além disso, ao se desligar o dispositivo ou colocá-lo no modo Suspender, quando retornar, pode ser que a tela mude de direção algumas vezes antes de se posicionar corretamente. Nada de mais.

Usando o Alfa

Ao ligar, o Alfa demora de 10 a 13 segundos para exibir o menu principal. Um pouco frustrante para um dispositivo baseado em Linux e com armazenamento SSD do tipo NAND Flash, mas até que está dentro do esperado.

É bem verdade que a partir do modo Suspender (ou de hibernação) o retorno é quase instantâneo à tela onde você estava. Mas há um problema. Segundo o manual, deixar o dispositivo no modo Suspender por mais de 2 semanas pode causar a queima irrecuperável da tela – a retenção permanente da imagem do referido modo.

Que mancada da Positivo…Por que deixar essa opção se pode causar dano ao equipamento? Não seria melhor se, ao colocar o dispositivo em modo Suspender, que a tela informativa aparecesse por alguns minutos e depois sumisse? Ou então que após um determinado período, de digamos 24 horas em modo Suspender, o equipamento se desligasse?

Outro item estranho no dispositivo é o fato de se poder configurar data e hora, mas não ter essa informação exibida em nenhum lugar. O ideal seria que aparecesse na parte superior da tela por exemplo, para que se pudesse eventualmente consultar.

E ainda, poderiam colocar como uma espécie de proteção de tela para o modo Suspender, onde o relógio em formato digital “flutuaria” por toda a tela, impedindo que a mesma queimasse…

O Alfa não possui 2 Gb de memória interna útil, conforme anunciado. O valor real é de mais ou menos 1.2 Gb. Os 800 Mb restantes são ocupados talvez por parte do SO, do software leitor de e-books , ou talvez do dicionário Aurélio que vem com ele, o qual não é possível apagar. Não dá para por 1500 livros no Alfa, conforme anunciado, a não ser que os livros tenham tamanho máximo de 1 Mbyte…

Ligar e desligar o equipamento consome mais energia, assim como ler arquivos no formato PDF ao invés do EPUB, pois se tratam de diferentes tipos de e-books. É recomendável usar o modo Suspender se for interromper uma leitura e depois continuar em seguida.

Mas cuidado para não deixar o Alfa neste modo por mais de 2 semanas, certo?

De um modo geral, o Alfa é lento. Para virar páginas, demora um pouco menos de 1 segundo depois que você deslizou o dedo na tela. Não é um mau resultado, mas fica a sensação de “será que não podia ser mais rápido?”

Um livro de 160 páginas no formato EPUB com nenhuma imagem demora cerca de 3 segundos para abrir. Ao acessar o índice e tocar em um de seus itens, demora cerca de 1 segundo para que a página correspondente seja exibida. Também não são resultados ruins, mas tem-se a mesma sensação de quando se viram as páginas.

Mas, dependendo formato, do conteúdo e do tamanho do e-book, o Alfa pode demorar para executar essas tarefas. Por exemplo, um livro no formato EPUB de 16 Mbytes, com 230 páginas, contendo uma quantidade grande de imagens, demora mais ou menos 15 a 25 segundos para aparecer na tela, cerca de 7 a 11 segundos para que a página correspondente ao item do índice seja exibida. E neste caso, se você muda a posição de leitura do Alfa, às vezes o acelerômetro nem percebe, sendo necessário sacudir uma vez o dispositivo e então esperar uns 3 a 5 segundos para o ajuste. OK, este é um livro um pouco incomum para um e-reader, mas fica aqui como referência de performance.

O dispositivo tem o recurso de cache, caso você não o desligue. Ao parar de ler um livro, o Alfa guarda onde você estava e mantém a informação do último livro lido em cache, de modo que quando você volta para usá-lo, a página aparece quase instantaneamente.

O sistema de Busca

O sistema de busca consiste em pressionar o botão frontal de Procura do dispositivo, que abre um teclado virtual na tela, onde se digita o(s) termo(s) desejado(s) e então se inicia a procura da ocorrência no e-book corrente.

A busca é relativa à expressão exata digitada e não às palavras, e não se permite a utilização de conectores lógicos como E, NÃO, OU. Também não há busca de palavras com coringas (wildcards). A velocidade da busca depende do número de páginas do livro e evidentemente seu formato, com buscas em e-books no formato PDF sendo mais lentas.

Os resultados aparecem em uma lista, onde se mostra a página e um trecho do texto onde se encontra(m) o(s) termo(s) procurado(s). Entretanto, ao tocar em um item da lista e ir até a página onde ele se encontra, não há como voltar ao resultado da busca. Para se ter a listagem e eventualmente escolher outra ocorrência da lista de resultados, deve-se efetuar a busca novamente, digitando o(s) termo(s) novamente e esperando o mesmo tempo para busca ser novamente efetuada.

Além disso, estando na lista de resultados, você não consegue iniciar uma nova busca, sendo necessário escolher um dos itens da lista, mesmo que você não queira consultá-lo, ou então pressionar o botão frontal de Voltar e então acessar seu e-book novamente e só então fazer nova busca.

O Dicionário

Um dicionário Aurélio vem embutido no dispositivo, mas só pode ser utilizado se você estiver lendo um e-book e tocar sobre uma palavra: não há como digitá-la para consultar seu significado. A definição aparece numa caixa de texto na parte inferior da tela.

Entretanto, o dicionário é de qualidade duvidosa. Por exemplo, palavras como “consultando” e “deviam” não constam no dicionário. Entretanto, “pressione” consta. Parece que nem todas as flexões verbais são identificadas, mesmo quando os verbos são regulares, que é o mínimo que se espera de um bom dicionário.

E há erros de definição. Por exemplo, a palavra “tivesse” é definida como o gentílico de quem é de Tiros, uma cidade de Minas Gerais (cujo gentílico correto é tirense). Falha grave.

Positivo Alfa

Se você é de Tiro (MG), você é “tivesse”…

E a letra “a”, cuja primeira definição no Aurélio do Alfa é referente a o uso da letra como prefixo, e relacionada a “afastamento”, “separação”, etc. O correto é que “a”, somente o “a”, tivesse como primeira definição algo como “a primeira letra do alfabeto brasileiro” (assim é para o Houaiss e o Michaelis em suas versões online por exemplo…).

Além disso, dependendo da palavra, se tiver várias definições, a barra de navegação fica péssima, por conta de o controle da mesma ficar muito estreito. Como o movimento é feito somente através de toque na tela, quanto menor é o objeto, pior fica para se controlar. Não há alternativa de navegação através dos botões frontais do dispositivo.

Há um problema também na identificação da palavra em livros no formato PDF. Como este formato é uma imagem de impressão, a identificação da palavra raramente é feita de modo correto quando se está exibindo “entre páginas”, onde aparece o rodapé e o “risco” que divide as páginas. Daí você precisa ficar ajustando o nível de zoom, tentando exibir a página inteira na tela para ver se consegue tocar na palavra desejada.

Uma solução simples seria permitir a consulta ao dicionário através da digitação de palavras. Se bem que o ideal seria rever o dicionário instalado, por conta das falhas na identificação de verbos na forma conjugada e das definições. Não sei qual versão de Aurélio a Positivo escolheu para por no dispositivo, mas essa certamente não foi uma boa escolha.

Quadro Resumo

Pontos positivos

  • Portabilidade: tamanho muito bom para transporte, elegante, fino, leve e com grande capacidade para transportar livros.

  • Tela sensível ao toque: este recurso é essencial principalmente para um dispositivo portátil.

  • E-paper: simplesmente revolucionário no quesito de exibição de textos sob condições de luz que dispositivos com telas convencionais não servem. Permite a leitura confortável de textos no formato digital.

  • Facilidade de uso: muito simples de usar, não sendo necessário nenhum conhecimento especial.

Pontos negativos:

  • Preço: muito caro: cerca de R$ 700,00!

  • Sistema de busca: sem retorno à lista de resultados, sem opções de utilização de conectores lógicos, nem de coringas.

  • Dicionário: não permite a consulta direta, não identifica verbos conjugados, possui definições erradas.

  • Modo Suspender: pode danificar o equipamento mas é o mais indicado para conservação de carga da bateria, bem como retorno rápido ao conteúdo.

  • Atualizações: Não se sabe se o fabricante irá dispor correções e atualizações eventuais.